quinta-feira, 31 de março de 2011
Meditação e Vida Espiritual
S. Yatiswarananda - Renúncia e Desapego
A necessidade da renúncia
É realmente muito estranho que as pessoas sofram tanto e ainda assim não despertem, mas se prendam a todos os tipos de falsas identificações. O mundo inteiro está preso pelo desejo de riqueza e sexo. As pessoas fazem disto a meta de suas vidas e ao final sofrem. Identificando-se com nosso corpo e com os outros corpos nos prendemos em todos os tipos de envolvimentos emocionais e criamos sofrimento sem fim. É claro que há muitas pessoas que parecem gostar de tudo isto. Como na parábola de Sri Ramakrishna, o camelo come arbustos espinhosos que sangram a sua boca, mas continua a comê-los da mesma forma. Mas um aspirante espiritual não pode viver desta forma. Ele fixou para si mesmo um ideal elevado e por isso não pode perder-se em envolvimentos mundanos. Por isso começa a pensar profundamente sobre renúncia e desapego.
A necessidade da renúncia
É realmente muito estranho que as pessoas sofram tanto e ainda assim não despertem, mas se prendam a todos os tipos de falsas identificações. O mundo inteiro está preso pelo desejo de riqueza e sexo. As pessoas fazem disto a meta de suas vidas e ao final sofrem. Identificando-se com nosso corpo e com os outros corpos nos prendemos em todos os tipos de envolvimentos emocionais e criamos sofrimento sem fim. É claro que há muitas pessoas que parecem gostar de tudo isto. Como na parábola de Sri Ramakrishna, o camelo come arbustos espinhosos que sangram a sua boca, mas continua a comê-los da mesma forma. Mas um aspirante espiritual não pode viver desta forma. Ele fixou para si mesmo um ideal elevado e por isso não pode perder-se em envolvimentos mundanos. Por isso começa a pensar profundamente sobre renúncia e desapego.
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-Vedanta,
Consciência,
O Canto do Senhor
A Subida ao Monte Carmelo IX e X
S.J.da CRUZ - (A Subida ao Monte Carmelo)
CAPÍTULO IX - Diz como os apetites mancham a alma e prova com testemunhos e comparações da Sagrada Escritura.
1. O quarto dano que fazem os apetites à alma é que a sujam e mancham, segundo o ensinamento do Eclesiástico: «Quem tocar o piche ficará manchado dele» ( Ecli 13, 1 ). Ora, tocar o piche é satisfazer com qualquer criatura o apetite de sua vontade. Nessa passagem da Sagrada Escritura compara o Sábio as criaturas com o piche; porque entre a excelência da alma e o que há de mais perfeito nas outras criaturas é maior a diferença que entre o fúlgido diamante ou fino ouro e o piche. E assim como o ouro ou diamante se caísse, aquecido, no piche ficaria disforme e besuntado, porquanto o calor derrete e torna mais aderente o piche, assim a alma, dirigindo o ardor de seus apetites para qualquer criatura, dela recebe, pelo calor do mesmo apetite, máculas e impureza. Existe ainda entre a alma e as criaturas corpóreas diferença maior do que há entre o licor mais límpido e a água mais lodosa; esse licor, sem dúvida, se turvaria se fosse misturado com a lama; deste modo se mancha e suja a alma que se apega à criatura, pois nisto se faz semelhante à mesma criatura. Assim como ficaria desfigurado o rosto mais formoso, com manchas de tisne, a alma, igualmente, que é em si muito perfeita e acabada imagem de Deus, fica desfigurada pelos apetites desregrados que conserva.
CAPÍTULO IX - Diz como os apetites mancham a alma e prova com testemunhos e comparações da Sagrada Escritura.
1. O quarto dano que fazem os apetites à alma é que a sujam e mancham, segundo o ensinamento do Eclesiástico: «Quem tocar o piche ficará manchado dele» ( Ecli 13, 1 ). Ora, tocar o piche é satisfazer com qualquer criatura o apetite de sua vontade. Nessa passagem da Sagrada Escritura compara o Sábio as criaturas com o piche; porque entre a excelência da alma e o que há de mais perfeito nas outras criaturas é maior a diferença que entre o fúlgido diamante ou fino ouro e o piche. E assim como o ouro ou diamante se caísse, aquecido, no piche ficaria disforme e besuntado, porquanto o calor derrete e torna mais aderente o piche, assim a alma, dirigindo o ardor de seus apetites para qualquer criatura, dela recebe, pelo calor do mesmo apetite, máculas e impureza. Existe ainda entre a alma e as criaturas corpóreas diferença maior do que há entre o licor mais límpido e a água mais lodosa; esse licor, sem dúvida, se turvaria se fosse misturado com a lama; deste modo se mancha e suja a alma que se apega à criatura, pois nisto se faz semelhante à mesma criatura. Assim como ficaria desfigurado o rosto mais formoso, com manchas de tisne, a alma, igualmente, que é em si muito perfeita e acabada imagem de Deus, fica desfigurada pelos apetites desregrados que conserva.
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A Subida ao Monte Carmelo
quarta-feira, 30 de março de 2011
A Subida ao Monte Carmelo VII / VIII
S.João da CRUZ-(A Subida ao Monte Carmelo)
Capítulo VII - Como os apetites atormentam a alma. Prova-se também por comparações e textos da Sagrada Escritura.
1. Os apetites causam na alma o segundo efeito do dano positivo, que consiste em atormentá-la e afligi-la, tornando-a semelhante a uma pessoa carregada de grilhões, privada de qualquer repouso até a completa libertação. Destes tais diz David: «Laços de pecados, isto é, de apetites desregrados, me tingiram por todas as partes» ( Sl 118, 61 ). Do mesmo modo que se atormenta e aflige quem, despojado das vestes, se deita sobre espinhos e aguilhões, assim a alma sente os mesmos tormentos quando sobre os seus apetites se recosta; porque estes, como os espinhos, ferem, magoam e deixam dor. A esse propósito, disse também David: «Cercaram-me como abelhas; e se incendiaram como fogo em espinhos» ( SI 117, 12 ). Efetivamente, o fogo da angústia e da dor se aviva em meio dos espinhos dos apetites. Como o lavrador, desejoso da colheita, excita e atormenta o boi que está sob o jugo, assim a concupiscência(pleonexia, epithymia) aflige a alma que se sujeita ao jugo dos seus apetites para obter o que aspira. O desejo que tinha Dalila de conhecer o segredo da força de Sansão prova esta verdade. A Escritura diz que, preocupada e atormentada, desfaleceu quase até morrer: «Sua alma caiu num mortal desfalecimento» ( Jdt 16, 16 ).
Capítulo VII - Como os apetites atormentam a alma. Prova-se também por comparações e textos da Sagrada Escritura.
1. Os apetites causam na alma o segundo efeito do dano positivo, que consiste em atormentá-la e afligi-la, tornando-a semelhante a uma pessoa carregada de grilhões, privada de qualquer repouso até a completa libertação. Destes tais diz David: «Laços de pecados, isto é, de apetites desregrados, me tingiram por todas as partes» ( Sl 118, 61 ). Do mesmo modo que se atormenta e aflige quem, despojado das vestes, se deita sobre espinhos e aguilhões, assim a alma sente os mesmos tormentos quando sobre os seus apetites se recosta; porque estes, como os espinhos, ferem, magoam e deixam dor. A esse propósito, disse também David: «Cercaram-me como abelhas; e se incendiaram como fogo em espinhos» ( SI 117, 12 ). Efetivamente, o fogo da angústia e da dor se aviva em meio dos espinhos dos apetites. Como o lavrador, desejoso da colheita, excita e atormenta o boi que está sob o jugo, assim a concupiscência(pleonexia, epithymia) aflige a alma que se sujeita ao jugo dos seus apetites para obter o que aspira. O desejo que tinha Dalila de conhecer o segredo da força de Sansão prova esta verdade. A Escritura diz que, preocupada e atormentada, desfaleceu quase até morrer: «Sua alma caiu num mortal desfalecimento» ( Jdt 16, 16 ).
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A Subida ao Monte Carmelo
terça-feira, 29 de março de 2011
Poesia . Se às vezes digo...
Se às vezes digo que as flores sorriem
Se às vezes digo que as flores sorriem
E se eu disser que os rios cantam,
Não é porque eu julgue que há sorrisos nas flores
E cantos no correr dos rios...
É porque assim faço mais sentir aos homens falsos
A existência verdadeiramente real das flores e dos rios.
Porque escrevo para eles me lerem sacrifico-me às vezes
À sua estupidez de sentidos...
Não concordo comigo mas absolvo-me,
Porque só sou essa coisa séria, um intérprete da Natureza,
Porque há homens que não percebem a sua linguagem,
Por ela não ser linguagem nenhuma.
Alberto Caeiro (Fernando Pessoa)
Se às vezes digo que as flores sorriem
E se eu disser que os rios cantam,
Não é porque eu julgue que há sorrisos nas flores
E cantos no correr dos rios...
É porque assim faço mais sentir aos homens falsos
A existência verdadeiramente real das flores e dos rios.
Porque escrevo para eles me lerem sacrifico-me às vezes
À sua estupidez de sentidos...
Não concordo comigo mas absolvo-me,
Porque só sou essa coisa séria, um intérprete da Natureza,
Porque há homens que não percebem a sua linguagem,
Por ela não ser linguagem nenhuma.
Alberto Caeiro (Fernando Pessoa)
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Poesia
segunda-feira, 28 de março de 2011
A Subida ao Monte Carmelo VI
S.J.da CRUZ-(A Subida ao Monte Carmelo)
CAPITULO VI - Dos dois principais danos causados à alma pelos apetites: um privativo e outro positivo.
1. Será bom, para maior esclarecimento do que foi dito, explicarmos aqui o duplo prejuízo causado à alma por seus apetites. Primeiro, privam-na do espírito de Deus. Segundo, fatigam, atormentam, obscurecem, mancham e enfraquecem a alma em que vivem, segundo a palavra de Jeremias: «Dois males fez o meu povo: deixaram-me a mim, fonte de água viva, e cavaram para si cisternas, cisternas rotas, que não podem reter as águas» ( Jer 2, 13 ). Estes dois males — privativo e positivo — são causados por qualquer ato desordenado do apetite. Quanto ao primeiro, é evidente que, afeiçoando-se a alma à criatura, quanto mais tal apetite ocupar a alma, tanto menos capacidade terá ela para possuir a Deus. Explicamos no capítulo IV que dois contrários não podem existir num mesmo sujeito ao mesmo tempo. Ora, a afeição a Deus e à criatura são dois contrários: não podem, desse modo, existir em uma só vontade. Que relação existe entre a criatura e o Criador, entre o material e o espiritual, entre o visível e o invisível, entre o temporal e o eterno, entre o alimento celeste, puro e espiritual e o alimento grosseiro dos sentidos, entre a desnudez de Cristo e o apego a alguma coisa?
CAPITULO VI - Dos dois principais danos causados à alma pelos apetites: um privativo e outro positivo.
1. Será bom, para maior esclarecimento do que foi dito, explicarmos aqui o duplo prejuízo causado à alma por seus apetites. Primeiro, privam-na do espírito de Deus. Segundo, fatigam, atormentam, obscurecem, mancham e enfraquecem a alma em que vivem, segundo a palavra de Jeremias: «Dois males fez o meu povo: deixaram-me a mim, fonte de água viva, e cavaram para si cisternas, cisternas rotas, que não podem reter as águas» ( Jer 2, 13 ). Estes dois males — privativo e positivo — são causados por qualquer ato desordenado do apetite. Quanto ao primeiro, é evidente que, afeiçoando-se a alma à criatura, quanto mais tal apetite ocupar a alma, tanto menos capacidade terá ela para possuir a Deus. Explicamos no capítulo IV que dois contrários não podem existir num mesmo sujeito ao mesmo tempo. Ora, a afeição a Deus e à criatura são dois contrários: não podem, desse modo, existir em uma só vontade. Que relação existe entre a criatura e o Criador, entre o material e o espiritual, entre o visível e o invisível, entre o temporal e o eterno, entre o alimento celeste, puro e espiritual e o alimento grosseiro dos sentidos, entre a desnudez de Cristo e o apego a alguma coisa?
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A Subida ao Monte Carmelo
(HD) - Quem Somos Nós ?
Vá clicando no "Up next", no final de cada vídeo, para ver todos.
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Todos Somos Um
A Subida ao Monte Carmelo V
S.J.da CRUZ-(A Subida ao Monte Carmelo)
CAPÍTULO V - Continuação do mesmo assunto. Provas extraídas de autoridades e figuras da Sagrada Escritura para demonstrar quanto é necessário à alma ir a Deus por esta noite escura da mortificação do apetite em todas as coisas.
1. Pelo que ficou dito até agora, podemos conhecer, de algum modo, qual o abismo separando as criaturas do Criador, e como as almas, que em alguma destas põem sua afeição, se acham a essa mesma distância de Deus; pois, como dissemos, o amor produz igualdade e semelhança. Santo Agostinho compreendeu esta verdade quando disse ao Senhor em seus solilóquios: «Miserável que sou! Em que a minha pequenez e minha imperfeição poderão se comparar com a vossa retidão? Sois verdadeiramente bom, e eu mau; sois piedoso, e eu ímpio; sois santo, e eu miserável; sois justo, e eu injusto; sois luz, e eu cego; sois vida, e eu morte; sois remédio, e eu enfermo; sois suprema verdade, e eu tão somente vaidade».' Tudo isto diz o Santo.
CAPÍTULO V - Continuação do mesmo assunto. Provas extraídas de autoridades e figuras da Sagrada Escritura para demonstrar quanto é necessário à alma ir a Deus por esta noite escura da mortificação do apetite em todas as coisas.
1. Pelo que ficou dito até agora, podemos conhecer, de algum modo, qual o abismo separando as criaturas do Criador, e como as almas, que em alguma destas põem sua afeição, se acham a essa mesma distância de Deus; pois, como dissemos, o amor produz igualdade e semelhança. Santo Agostinho compreendeu esta verdade quando disse ao Senhor em seus solilóquios: «Miserável que sou! Em que a minha pequenez e minha imperfeição poderão se comparar com a vossa retidão? Sois verdadeiramente bom, e eu mau; sois piedoso, e eu ímpio; sois santo, e eu miserável; sois justo, e eu injusto; sois luz, e eu cego; sois vida, e eu morte; sois remédio, e eu enfermo; sois suprema verdade, e eu tão somente vaidade».' Tudo isto diz o Santo.
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A Subida ao Monte Carmelo
A Subida ao Monte Carmelo IV
S.J.da CRUZ-(A Subida ao Monte Carmelo)
CAPÍTULO IV - Trata de quão necessário seja passar deveras a alma pela noite escura dos sentidos, que é a mortificação dos apetites, para chegar à união divina.
1. Para atingir este estado sublime de união com Deus, é indispensável à alma atravessar a noite escura da mortificação dos apetites, e da renúncia a todos os prazeres deste mundo. As afeições às criaturas são diante de Deus como profundas trevas, de tal modo que a alma, quando aí fica mergulhada, torna-se incapaz de ser iluminada e revestida da pura e singela claridade divina. A luz é incompatível com as trevas, como no-lo afirma S. João ao dizer que as trevas não puderam compreender a luz ( Jo 1, 5 ).
CAPÍTULO IV - Trata de quão necessário seja passar deveras a alma pela noite escura dos sentidos, que é a mortificação dos apetites, para chegar à união divina.
1. Para atingir este estado sublime de união com Deus, é indispensável à alma atravessar a noite escura da mortificação dos apetites, e da renúncia a todos os prazeres deste mundo. As afeições às criaturas são diante de Deus como profundas trevas, de tal modo que a alma, quando aí fica mergulhada, torna-se incapaz de ser iluminada e revestida da pura e singela claridade divina. A luz é incompatível com as trevas, como no-lo afirma S. João ao dizer que as trevas não puderam compreender a luz ( Jo 1, 5 ).
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A Subida ao Monte Carmelo
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Música
domingo, 27 de março de 2011
A Subida ao Monte Carmelo II e III
S.J.da CRUZ-(A Subida ao Monte Carmelo)
CAPÍTULO II Explicação do que é a noite escura pela qual passa a alma para alcançar a união divina.
EM UMA NOITE ESCURA
1. A purificação que leva a alma à união com Deus pode receber a denominação de noite por três razões. A primeira, quanto ao ponto de partida, pois, renunciando a tudo o que possuía, a alma priva-se do apetite de todas as coisas do mundo, pela negação delas. Ora, isto, sem dúvida, constitui uma noite para todos os sentidos e todos os apetites do homem. A segunda razão, quanto à via a tomar para atingir o estado da união. Esta via é a fé, noite verdadeiramente escura para o entendimento. Enfim, a terceira razão se refere ao termo ao qual a alma se destina, — termo que é Deus, (ser incompreensível e infinitamente acima das nossas faculdades – NT: palavras tomadas da “edição príncipe”) e que, por isso mesmo, pode ser denominado uma noite escura para a alma nesta vida. Estas três noites hão de passar pela alma, ou melhor, por estas três noites há de passar a alma a fim de chegar à divina união.
CAPÍTULO II Explicação do que é a noite escura pela qual passa a alma para alcançar a união divina.
EM UMA NOITE ESCURA
1. A purificação que leva a alma à união com Deus pode receber a denominação de noite por três razões. A primeira, quanto ao ponto de partida, pois, renunciando a tudo o que possuía, a alma priva-se do apetite de todas as coisas do mundo, pela negação delas. Ora, isto, sem dúvida, constitui uma noite para todos os sentidos e todos os apetites do homem. A segunda razão, quanto à via a tomar para atingir o estado da união. Esta via é a fé, noite verdadeiramente escura para o entendimento. Enfim, a terceira razão se refere ao termo ao qual a alma se destina, — termo que é Deus, (ser incompreensível e infinitamente acima das nossas faculdades – NT: palavras tomadas da “edição príncipe”) e que, por isso mesmo, pode ser denominado uma noite escura para a alma nesta vida. Estas três noites hão de passar pela alma, ou melhor, por estas três noites há de passar a alma a fim de chegar à divina união.
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A Subida ao Monte Carmelo
A Subida ao Monte Carmelo I
S.J.da CRUZ-(A Subida ao Monte Carmelo)
CAPÍTULO I - Exposição da primeira canção. Trata das diferentes noites por que passam os espirituais, segundo as duas partes do homem, inferior e superior, e declara a canção seguinte:
Canção I
Em uma noite escura,
De amor em vivas ânsias inflamada,
Oh! ditosa ventura!
Saí sem ser notada,
Já minha casa estando sossegada.
CAPÍTULO I - Exposição da primeira canção. Trata das diferentes noites por que passam os espirituais, segundo as duas partes do homem, inferior e superior, e declara a canção seguinte:
Canção I
Em uma noite escura,
De amor em vivas ânsias inflamada,
Oh! ditosa ventura!
Saí sem ser notada,
Já minha casa estando sossegada.
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A Subida ao Monte Carmelo
O sétimo vale ou o Vale da Privação e da Morte
A Conferência dos Pássaros - Farid Ud-Din Attar
A Poupa continuou:
“O último de todos, o Vale da Privação e da Morte, é quase impossível descrever. A essência desse vale é o esquecimento, a mudez, a surdez e a confusão; as mil sombras que te cercam desaparecem num único raio do sol celestial. Quando o oceano da imensidade começa a arfar, o modelo à superfície perde a forma; e esse modelo não é mais que o mundo presente e o mundo por vir. Quem declara que não existe acumula grandes méritos. A gota que se torna parte do imenso oceano, mora lá para sempre e em paz. Nesse mar calmo, o homem a princípio só experimenta humilhação e destruição; mas quando emergir desse estado, compreendê-lo-á como criação, e muitos segredos lhe serão revelados.
A Poupa continuou:
“O último de todos, o Vale da Privação e da Morte, é quase impossível descrever. A essência desse vale é o esquecimento, a mudez, a surdez e a confusão; as mil sombras que te cercam desaparecem num único raio do sol celestial. Quando o oceano da imensidade começa a arfar, o modelo à superfície perde a forma; e esse modelo não é mais que o mundo presente e o mundo por vir. Quem declara que não existe acumula grandes méritos. A gota que se torna parte do imenso oceano, mora lá para sempre e em paz. Nesse mar calmo, o homem a princípio só experimenta humilhação e destruição; mas quando emergir desse estado, compreendê-lo-á como criação, e muitos segredos lhe serão revelados.
Paz na Terra
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Consciência
Poesia - F. Pessoa
O Meu Olhar
O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo...
Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender ...
O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...
Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar ...
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar...
Alberto Caeiro (F. Pessoa)
O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo...
Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender ...
O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...
Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar ...
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar...
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Poesia
sábado, 26 de março de 2011
O sexto vale ou o Vale do Espanto e da Perplexidade
A Conferência dos Pássaros - Farid Ud-Din Attar
Depois do Vale da Unidade vem o Vale do Espanto e da Perplexidade, onde o viajante é presa da tristeza e da melancolia. Ali os suspiros são espadas, e cada respiração é um amargo suspiro. A noite e o dia surgem ao mesmo tempo. Ali há fogo, e, sem embargo disso, o homem se sente deprimido e desalentado. Como, em sua perplexidade, prosseguirá no caminho? Mas quem alcançou a unidade se esquece de tudo e se esquece de si. Se lhe perguntarem: “És ou não és? Tens ou não tens o sentimento da existência? Estás no centro ou na periferia? És mortal ou imortal?”, ele responderá com certeza:
Depois do Vale da Unidade vem o Vale do Espanto e da Perplexidade, onde o viajante é presa da tristeza e da melancolia. Ali os suspiros são espadas, e cada respiração é um amargo suspiro. A noite e o dia surgem ao mesmo tempo. Ali há fogo, e, sem embargo disso, o homem se sente deprimido e desalentado. Como, em sua perplexidade, prosseguirá no caminho? Mas quem alcançou a unidade se esquece de tudo e se esquece de si. Se lhe perguntarem: “És ou não és? Tens ou não tens o sentimento da existência? Estás no centro ou na periferia? És mortal ou imortal?”, ele responderá com certeza:
sexta-feira, 25 de março de 2011
O quinto vale ou o Vale da Unidade
A Conferência dos Pássaros - Farid Ud-Din Attar
A Poupa continuou:
“Cruzarás depois o Vale da Unidade, onde tudo é partido em pedaços e, em seguida, unificado. Aqui, todas as cabeças que se erguem saem da mesma gola. Embora te pareça ver muitos seres, na realidade só existe um — todos fazem um, completo na unidade. Além disso, o que vês como unidade não difere do que te parece uma soma. E como o Ser a que me refiro está além da unidade e da soma, cessa de pensar na eternidade como em antes e depois; e como essas duas eternidades desapareceram, deixa de falar nelas.
Quando tudo o que é visível estiver reduzido a nada, que sobrará para se contemplar?”
O quarto vale ou o Vale da Independência e do Alheamento
A Conferência dos Pássaros-Farid Ud-Din Attar
A Poupa prosseguiu:
“Depois vem o vale onde não há nem o desejo de possuir nem a vontade de descobrir. Nesse estado da alma sopra um vento frio, tão violento que, num ápice, devasta um espaço imenso: os sete oceanos não são mais que uma lagoa, os sete planetas, mera centelha, os sete céus, um cadáver, os sete infernos, gelo quebrado. Além disso, há uma coisa surpreendente, que foge à razão: uma formiga tem a força de cem elefantes, e cem caravanas se destroem enquanto um corvo enche o papo.
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